Ninguém te conta a verdade sobre a não-monogamia!

Pois eu vou contar galera.

É um verdadeiro absurdo, o extrato da ambivalência humana!

    A verdade é que pra experenciar de fato a gente tem que se confrontar muito e nem sempre estaremos preparades pra esse confronto, são muitas camadas, é preciso ter suporte psicológico, afetivo, rede de apoio e tudo mais, tô falando de intensidade, vulnerabilidade, pane no sistema alguém me desconfigurou rs.

    É certo que existem instrumentos teóricos muito eficazes pra dar conta de centenas de dúvidas, influenciadoras(es) militantes que te acolhem e sanam momentaneamente a sede de desbravar esse desconhecido que é se afetar por outres, ““dividir”” o afeto do seu afeto, mas na vida real o buraco é mais embaixo, no dia a dia não tem post de instagram que dê conta de transformar a prática em teoria e muito menos a teoria na prática.

    Me sinto desbravando um universo novo dentro de mim, me convenço de algo e quando noto já estou completamente envolta por sentimentos totalmente opostos, “quero liberdade”, “não não não! quero é segurança/estabilidade/cárcere kkkk”, “te quero livre, mas não se apaixona também, socorro!!! aí já é demais”, poderia falar horas desses lugares de confusão mental que percorro quando vivencio um novo evento proporcionado pela famigerada não-monogamia, mas especialmente hoje eu também quero ressaltar um lugar de muita estima que tenho respirado sozinha, o lugar da honestidade... Nossa como é bom ser honesta com a gente! Eu passei por MIL reflexões sobre isso nos últimos meses e nada se compara com a paz da honestidade que eu sinto aqui dentro, nesse coraçãozinho volta e meia acelerado pela ansiedade.

    Não dá pra fugir da gente nesse processo todo, aquela máxima do Tiririca “aonde eu ia, eu tava”, passei por um percurso intenso de me sentir impostora, por acreditar em algo e sentir todo o inverso disso, medo, inseguranças mil, ciúmes, inveja, raiva, até entender que olhar pra isso tudo é justamente uma das camadas mais importantes da não-mono, se ver com humildade, com afeto, com ternura, a nossa humanidade e nossas faces mais contraditórias precisam tanto de acolhimento(!!!), a cada turbulência nesse processo é uma chamado pra se amar, e não naquela lógica narcísica de se amar mais do que tudo porque só eu importo, mas se amar tanto quanto o todo, se amar ao ponto de voltar a entender o amor sobre tantas outras coisas/pessoas/sentidos/universos/palavras, e aqui, sim, o amor como prática/ação não enquanto um sentimento como nos convoca bell hooks.

    Ontem dormi pensando numa frase que uma prima disse zoando no zap “o que é meu é só meu e de mais ninguém”, era uma brincadeira explícita, mas eu sabia exatamente do que ela estava falando, e ter a possibilidade de experenciar outra lógica relacional e aos trancos e barrancos me sentir mais feliz/livre/realizada, me fez ter vontade de escrever sobre essas sensações todas, não é um caminho fácil, mas é tão tão possível que quero compartilhar com vocês um pouco desse re-conhecimento individual.  Aguardem atualizações.

    XOXO gossip girl, 

meu deus denunciei minha idade aqui. Ok vou fazer um texto sobre isso também.  Lembrar de falar sobre etarismo e aquela reflexão que o Jonas Maria propõem sobre por que LGBTQIAP+ ou GLS rs não se sentem adultos aos quase 30.

Comentários